Sentia uma dor no peito há dias, uma vontade de chorar que segurava com toda a sua força durante esse período, ela sabia que um dia não ia dar mais para segurar, mas torcia para que quando chegasse esse momento que ninguém estivesse perto. Ela sabia que havia assumido um papel de uma mulher que não era ela. Ela sabia que um dia mesmo com tanto sucesso uma peça é retirada de cartaz, as luzes se apagam e os personagens tem que irem embora. Ela já havia escutado as ultimas falas da peça, mas não queria enxergar.Ela sabia que esse dia estava próximo. E foi assim que aconteceu, o fim chegou. E com ele, as lágrimas também, em um domingo as dez e vinte da manhã, ela começou a chorar, um choro doído de quem segurou muito tempo, as lagrimas escorriam pelo rosto, marcavam a sua pele branca.Naquele momento ela não queria pensar em nada, apenas chorar. Só que ela pensava, em como estava vivendo a vida errada, como estava vivendo a vida de outra pessoa, não a dela. Por onde começar a procura...
Foi uma ressaca terrível, uma das piores da minha vida e não era de vodka ou de tequila. Era moral. Sem remedinhos, repouso ou simpatia que pudesse fazer passar. O telefone de um lado no silencioso, o orgulho de outro. O resultado de um final não tão feliz e que demorei para enxergar. Acabou o café, acabou o sono, acabou a brincadeira, acabou as desculpas para puxar mais uma vez o assunto e tentar reconciliar e só me sobrou a vergonha de ter feito tudo e não ter recebido nada. Só que por sorte, acabou também a paciência de ouvir baboseiras, lições de moral de quem não tem moral de falar nada. Acabou. Fiz por que eu quis e se eu quiser eu faço de novo. Não ando economizando grosserias, tô cansada de poupar pessoas que não se esforçam o minimo para me poupar de nada. Não sou de deixar para lá. Por que esse para lá é sempre algum lugar dentro de mim e essas coisas me assombram por anos. Eu sou impulsiva demais para fazer papel de vitima, nunca encarno o personagem e acabo me desculpand...