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Mostrando postagens de fevereiro, 2013

Vento no litoral

O quarto apagado, a janela aberta, apenas a luz do poste e do notebook ligado. Ouvindo musica, tentando relaxar. Meu dia não foi um dos melhores. A parte boa, foi andar sem rumo pela rua e mesmo assim não encontrar meu lugar. Pensei em ligar para varias pessoas, pensei em correr para o colo de alguém, pensei em sentar no banco da praça e ver o dia indo embora, ali, quieta. Queria o colo que ninguém podia me dar, mas tudo bem. Vaguei mais um pouco, mal olhei para os olhos de quem cruzava comigo na rua e vim para casa. Agora, eis-me aqui. Com alguma coisa presa na garganta que, há tempos, não quer sair.   Criei uma vida pra dentro. Lendo, escrevendo, ouvindo musica. Poucos os que me conhecem tão bem agora, poucos os que notam quando eu choro pelo telefone e para saber que por trás de uma risada existe é uma imensa vontade de deitar num ombro e pensar em nada. E quando a gente vive pra dentro, certos dias a alma pede um pouco mais de espaço e eu fico assim. Na verdade, eu queria p...

Miss you

Engraçado isso né, a saudade nunca vem quando ela tem que aparecer, ela nunca chega quando estamos perto da família, dos amigos, do namorado. Ela não chega na infância, naquela musica antiga ou na época do primeiro amor. Ela vem depois, e vem com tudo. A saudade é um sentimento inimigo, é inimiga dos amigos, da família, dos enamorados, dos apaixonados, dos vividos. Ela aparece quando o namoro termina, ou quando aquela musica antiga já não toca mais na radio. É o sentimento não vivido, do beijo não dado, do abraço negado. Daquele perfume que de vez em quando aparece do nada, é saudade daquelas briguinhas bobas, daquelas gargalhadas bem dadas. Saudade é a palavra vazia, o silencio calado, a dor consentida. É um sentimento sentido sem querer, sem perceber já estamos tomados inteiros por ele. A saudade mata, cala, fere a alma e esmaga o coração. Mas além de tudo isso, ela nos mostra o quanto aquilo que não tinha tanto valor, nos faz falta. A saudade é confusa, complicada, dolor...

Quero ele

Eu sei o que eu quero, eu quero que ele leia meus textos, tente me descobrir, desvendar esse quebra cabeças de 4000 peças que eu sou. Até por que, hoje eu sou isso, amanha sou aquilo, a minha mutação é constante. E para ser meu, de verdade, ele vai precisar me descobrir todos os dias, me convencer disso e me encantar. Eu quero me apaixonar todos os dias, por aquele cara alto, nem magro, nem gordo, com olhos distantes, de abraço aperto, encaixe perfeito, de barba cerrada, de amor sincero, que me faça uma surpresa em plena quarta-feira, depois que eu chego do trabalho descabelada e me jogo no sofá. Que ria quando eu quero morrer por estar horrível e me cale com um beijo quando começo a brigar com ele por motivo nenhum. Só por ele estar ali. Eu quero viver o que ninguém nunca permitiu que eu vivesse. O que eu nunca cheguei a me permitir. Quero viver o que ninguém me fez conhecer e que se eu conheço é pelas altas imaginações que tenho. Eu quero sentir falta na segunda-feira, mesmo de...

Meus detalhes

Quando você nasce, cresce e começa a amadurecer dentro daquele seu castelo que te enclausuraram, é difícil abrir os olhos depois, é difícil encarar a luz. Comigo foi de uma hora para outra. Entre uma insônia e outra. Olhando as fotos, percebi o quanto eu não vivo. Lembrei de como tudo sempre foi, de como tudo nunca muda. E depois de me olhar no espelho e fui perceber o modelo de filha, irmã, amiga, namorada, que criaram para mim em algum momento da infância que eu não me lembro qual, mas que sempre segui a risca. Ou tentei. Sou o modelo que nunca segue do jeito que acha que deve seguir.  A criação de um modelo, faz com que ninguém sabe de verdade o que você é. Poucos sabem que eu sou desastrada, Também não sabem que já quase arranquei o queixo de alguém com o joelho porque ele estava vindo me beijar. E não sabe dos milhões de socos e tapas que dei sem querer em uma multidão de seres que cruzou meu caminho por pura distração. Também não sabem das incontáveis vezes que derramei ...

Ressaca

Meu mundo se resume a ressaca. Ressaca de uma mistura contínua de gênios e personalidades que eu nem imaginei que pudesse conhecer. Eu também não sabia que, além de misturar bebidas, misturar pessoas e situações também dá ressaca; e meu mundo se resume a isso. A uma ressaca constante de tudo isso que aparenta ser a ilusão do que foi vivido, quando na verdade, nada se viveu e se tem toda uma vida a descobrir, ainda. Essa ressaca de palavras repetidas, de canções mal interpretadas, de paixões que eu já nem lembro, de perguntas sem respostas e de respostas soltas ao vento, de noites mal dormidas, ressaca de acordar arrependida. Ressaca do medo, da incerteza e do espinho que se aloja na garganta todas as vezes que evito o riso tentando ser politicamente correta. Ressaca dessa faixa amarela que sempre está entre eu e alguém que eu não conheço e não poderei conhecer por ela estar exatamente ali, no meio do caminho, dando alerta para a passagem proibida, me negando a minha própria descobert...