Engraçado isso né, a saudade nunca vem quando ela tem que
aparecer, ela nunca chega quando estamos perto da família, dos amigos, do
namorado. Ela não chega na infância, naquela musica antiga ou na época do
primeiro amor. Ela vem depois, e vem com tudo.
A saudade é um sentimento inimigo, é inimiga dos amigos, da
família, dos enamorados, dos apaixonados, dos vividos. Ela aparece quando o
namoro termina, ou quando aquela musica antiga já não toca mais na radio.
É o sentimento não vivido, do beijo não dado, do abraço
negado. Daquele perfume que de vez em quando aparece do nada, é saudade
daquelas briguinhas bobas, daquelas gargalhadas bem dadas.
Saudade é a palavra vazia, o silencio calado, a dor
consentida. É um sentimento sentido sem querer, sem perceber já estamos tomados
inteiros por ele. A saudade mata, cala, fere a alma e esmaga o coração.
Mas além de tudo isso, ela nos mostra o quanto aquilo que não
tinha tanto valor, nos faz falta. A saudade é confusa, complicada, dolorida.
Certa e incerta. Cheias de caminhos ao contrario do amor. Depende de você o
qual escolher.
A saudade leva e traz esperanças, amores, intrigas e rancores.
Ah os rancores. Nos mostra que devemos dar valor enquanto temos. Mostra-nos a
vida de um ângulo oculto, obscuro, as vezes obsceno. A saudade faz parte da
vida, sem ela, nada teria graça.
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