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Remédio

Foi uma ressaca terrível, uma das piores da minha vida e não era de vodka ou de tequila. Era moral. Sem remedinhos, repouso ou simpatia que pudesse fazer passar. O telefone de um lado no silencioso, o orgulho de outro. O resultado de um final não tão feliz e que demorei para enxergar.
Acabou o café, acabou o sono, acabou a brincadeira, acabou as desculpas para puxar mais uma vez o assunto e tentar reconciliar e só me sobrou a vergonha de ter feito tudo e não ter recebido nada.
Só que por sorte, acabou também a paciência de ouvir baboseiras, lições de moral de quem não tem moral de falar nada. Acabou.
Fiz por que eu quis e se eu quiser eu faço de novo. Não ando economizando grosserias, tô cansada de poupar pessoas que não se esforçam o minimo para me poupar de nada. Não sou de deixar para lá. Por que esse para lá é sempre algum lugar dentro de mim e essas coisas me assombram por anos. Eu sou impulsiva demais para fazer papel de vitima, nunca encarno o personagem e acabo me desculpando por coisas que não fiz, só pelo hábito de ser vilã. Eu sou mulher demais para me fazer de menina, eu sou menina demais para brincar de mulher. Acabou por que eu quis, por que eu não quis mais representar um papel que já não me era conveniente. Não, não foi por conveniência, foi por amor! E eu amei, ah como eu amei, Não sou de cobrar, nunca cobrei nada de ninguém, acho que as coisas tem que acontecer num fluxo natural, mas quando chega um ponto que as coisas não acontecem a ponto de eu quebrar as minhas regras aí sim não serve mais. E foi assim, eu sai da sua vida dessa maneira, por que eu sou assim, você sabe bem! Saio atropelando tudo, sem pausas, sem vírgulas. Errei. Não sei o que pensou na hora, mas eu me perdoei, bem ali no meio de tanta gente eu aceitei o meu perdão. E deitei de consciência tranquila. Te deixar foi o meu remédio. E a ressaca continua aqui, mas toda ressaca passa e agente procura por outra e outra. Que também vão passar. Vomitei meu ultimo foda-se e fui viver em paz.


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