E se por acaso andando por aí você esbarrar por mim, não
mude de calçada. Puxe meu braço com leveza, como você costumava a fazer e me
diga baixinho ao pé do meu ouvido que estava com saudade. Diga que pensou em me
ligar, que tem tanta coisa para me dizer, que a vida já não foi mais a mesma
depois de mim. Se ficar sabendo que eu conquistei aquilo que eu tanta desejava,
me liga para comemorar. Diga que se orgulha do meu esforço, que sabia que eu ia
chegar lá.
Se souber que ando triste, me mande uma mensagem,
perguntando se eu preciso da sua ajuda, se pode fazer alguma coisa, se foi
alguma coisa que você fez. . E
quando estiver em desespero, me grite também. Eu ainda preciso saber
que, no fundo, você ainda precisa de mim.
Se sentir muita saudade,
tente me reencontrar nas linhas e entrelinhas das nossas histórias. Relembre os
momentos em que nada mais importava. Desfrute do passado que nós tivemos,
recorde o futuro que imaginávamos, pergunte-se como você foi me deixar sair da
sua vida. Se não lembrar o que te fazia tão feliz em nós dois, procure em
nossas fotos. Nós guardamos um bocado de felicidade nelas. Se passar em
frente ao meu prédio, suba, ou peça para eu descer, diga que estava passando e
quis falar um oi. Se quiser ficar um pouco, diga que sentiu falta do meu sofá,
do cheiro da minha comida e eu vou tentar disfarçar a saudade que sinto de ter minha
casa com você.
Não me faça acreditar que viramos aquele tipo de pessoa que passa a odiar quem
um dia tanto amou. Se me reencontrar refeita em um restaurante com alguém que me
faz sorrir, peça ao garçom que me sirva a minha bebida preferida. E eu vou
saber que, de longe, você fica feliz ao ver minha felicidade. Se nossos olhares
se encontrarem, não desvie. Não aja como se a gente se repelisse.
Se
não souber suportar a ideia de outro ter meu coração, não me odeie. Saiba que
uma história não precisa ter final feliz para ser bonita. E que eu te guardo
com um carinho enorme no peito. Se tudo isso for muito difícil, saiba, então,
que te entendo. Que aceito que mude de calçada, que diga aos outros que não fui
nada, que seu olhar fuja do meu. Se eu puder, no entanto, te fazer só um
pedido, faço esse: não mate tudo aquilo que a gente viveu. E, aí, eu deixo que
me esqueça em paz. Eu só espero que a infelicidade momentânea não destrua tudo
aquilo que nos fez feliz demais.

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