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Medo de amar


Com tantas coisas no mundo para se ter medo, vivemos em uma sociedade  onde o medo impera em tudo, temos medo da violência, medo de doenças, de não se conseguir realizar os seus sonhos, medo da solidão, a temível solidão. Com tantos medos que nos cercam eu achava abominável quando alguém me dizia ou eu percebia que essa pessoa tinha medo de amar.
Medo do amor? Um sentimento nobre, verdadeiro, maravilhoso, que move o mundo, que constrói tantas coisas. Nessa época eu não sabia que o amor podia destruir também, não conseguia ver o quanto ele pode ser destrutivo. Principalmente em uma mulher que sempre acreditou fielmente que ele era a melhor coisa que existia no mundo.

É que esse amor nobre, verdadeiro, intenso, maravilhoso, acaba. Simplesmente acaba. E quando acaba faz um corte enorme no nosso peito, um corte profundo. E por que ele acaba? Não era para ser pra sempre? Uma terceira pessoa, ou sem motivo algum, esse sentimento desaparece, como se nunca tivesse estado entre essas duas pessoas, o que interrompe esse sentimento? Isso é um mistério indecifrável, daqueles que é necessários anos de estudos e ainda não se acha concretamente a resposta.
Mas o amor termina. Mal agradecido, desonestamente acaba. E na maioria das vezes nunca acaba ao mesmo tempo nas duas pessoas, uma sempre irá continuar amando aquele que já não o ama. Doí nos dois lados, em quem tomou a iniciativa de romper  doí também, rompimentos não são fáceis, quebrar a rotina é difícil. Romper um amor não é bobagem, a ferida que se abre no corpo do outro e em si próprio é enorme, é um fato e um ato de grande responsabilidade. Ser a causadora do sofrimento alheio não é bom.
Sem o amor nada nos resta, a crença se desfaz, os sonhos somem, o romantismo perde o sentido e as músicas, elas não dizem mais nada, além de nos fazer chorar a qualquer momento.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. 
E o medo se instala como se sempre tivesse estado ali, dentro de você, te possui, consume sua alma e seus pensamentos. Machuca-te, o medo de amar novamente. E o que se pode fazer com esse medo? Nada. Aprender a viver com ele, e que quando chegar realmente a hora de amar novamente mandar esse medo idiota, consumista de alma, ir passear e voltar só se o amor acabar novamente.
Que corajosos somos nós? Ou até posso dizer sadomasoquistas, não? Que apesar de um medo tão presente, justificado, amamos outra vez e todas as vezes que esse tal de amor nos chama, mesmo fingindo um pouco ou até muita resistência, a gente no fundo sabe que é impossível recusa-lo pra sempre e sempre.

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