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Pensamentos volúveis


Sei disso, sei que o mundo precisa de mim com dois braços e duas pernas e um sorriso estampado no rosto. Mas não sei ser mais humana. Se ser humano é isso, ter um sorriso estampado no rosto mesmo sem vontade, ter que falar mesmo sem saber, eu não quero mais isso. Não hoje. Sorrir cansa, chorar cansa. Mas o que cansa mais, o que mais me desgasta é procurar desesperadamente um intermediário e esquecer que o mundo é só aparências. Não estou conseguindo encontrar isso.
Eu sou volúvel, sempre fui. Grande surpresa para os que me conhecem. Mas ser assim também cansa. Por que ninguém leva a serio uma pessoa que passa a semana inteira chorando para ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz ou triste para ser uma pessoa de verdade. Ninguém entende a minha necessidade intensa de mudança.

Nem eu mesmo. Eu não quero mais a realidade comum, eu gosto sim de viver em mundos imaginários, eu gosto de tentar fazer deles uma realidade. A minha realidade. Isso é o que mais cansa, para ser sincera. Não gosto de pensar que tenho um futuro escrito, obvio, cheios de prateleiras de gente sem sal. Me causa arrepios isso, e não arrepios bons. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Bem diferente. Não gosto do certo. Gosto do diferente, do impossível, do imaginável, do improvável. Sim eu sofro com isso, por que não é todo mundo que aceita pensamentos volúveis.
Um conselho, não tenta entender as voltas que eu dou sozinha. Você ficará tonto. Deixa só um mistério estranho como se fosse um filme trash. Ninguém quer descobrir o que há atrás de uma mulher diferente, mas mesmo assim ela ainda continua sendo a mulher diferente que deve ser descoberta.
Passo horas falando para ficar muda de repente, passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos tolos. É que tudo fica legal em constante mudança. E eu nem aprendi a ser a mesma de sempre, nem eu sei ser.
Mas não desisti de mim não, por trás de tanta indecisão tem alguém que no fundo só precisa de uma boa companhia mesmo fingindo claramente que não. Tem alguém que odeia todo mundo num segundo e chora de saudades por todos no outro. Um dia eu aprendo a finalmente como lidar com isso.

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