Como se eu não tivesse
sido ouvida. Gritei. Como se eu não tivesse sendo vista. Me fiz ver. E nada
adiantou. Rouca, pequena demais com essa
imensidão de sentimentos que tomava conta de mim a cada momento que passava.
Sentimentos desconexos,
confusos, embaralhados, embaçados com a falta de visão. A visão do mundo, a visão
que some quando existe o amor. Eu queria ver, mas estava cansada de enxergar. Eu
queria falar, mas estava cansada de escutar. E fiquei ali, parada, sentada, tentando
virar uma revolucionaria no sofá.
Até naquele
momento não tinha percebido o que havia acontecido. Palavras jogadas ao vento,
sentimentos pelas janelas, a razão presente. Mas o amor havia saído por aquela
porta. Pra não voltar mais.
O que iríamos fazer
se ele andava com as minhas pernas e eu via pelos olhos dele? O que ia fazer sem aquele misto de paixão e ódio?
O que iria fazer quando só me sobraria o ódio?
Tempo, tempo,
tempo...o tempo é contado em dia, meses, anos. A vida é contada em flores,
amores e dores. O tempo não cura. Há dores
que são incuráveis. E essa era uma delas.
Só me sobrou a
falta e o medo. Talvez nunca mais ame, ou talvez ainda seja muito nova pra
dizer isso. Talvez eu nunca entenda o real sentido das borboletas no estomago,
da boca seca e dos joelhos frágeis. Talvez eu tenha sido feita para o adeus,
para o impossível. Ou talvez nunca seja a palavra mais ridícula do dicionário,
e eu ainda sei o poder que as palavras exercem sobre mim.
.jpg)
Comentários
Postar um comentário
Deixe aqui sua opinião e dúvida sobre o universo feminino!