Ela se sentia bem ao lado dele, se sentia confortável,
protegida. Mesmo quando estavam a certa distancia, ela dele que precisava
quando as coisas apertavam.
Naquele dia, ligou para ele, como sempre fazia nos momentos de
angustias e de alegria, era seu melhor amigo justamente por isso, por saber
ouvi-la quando ninguém mais no mundo queria escutar. Ele sempre estava ali por
ela e ela por ele.
Nutriam uma amizade em que sentia um carinho tão grande um
pelo outro que quase chegava a atravessar a linha tênue do amor. Na verdade,
ambos se amavam profundamente, um amor tão bonito, tão grande, mas não tinham
coragem de concretizá-lo.
Confidenciavam tudo um ao outro, sabiam exatamente como se
sentiam em cada situação que passavam, sempre estavam prontos para se proteger
e cuidar. O toque dele não lhe causava
aflição, a risada estridente dela não lhe doía os ouvidos. Eles se amavam. E um
passo a frente poderia botar tudo a perder.
Cultivavam um amor impossível e não só por isto que o
resguardavam de si mesmos, mas por essa ser uma peça fundamental daquela
engrenagem de sentimentos que os mantinham em sincronismo.
Conversaram até o fim da noite. Ela adorava ouvir a sua voz
até o momento que adormecia. Ele sentia como se velasse o sono dela dessa
forma. Eles precisavam um do outro, de alguma forma desconhecida ou não revelada.
Ela precisava lhe contar que talvez seu coração houvesse sido preenchido. Ele tinha
que escutar calado, o amor escapar entre os dedos.
Eles sabiam quando começaram a se envolver, que existe sempre
um na historia que se apaixonava. Era o que tinha acontecido. Mas por ironia do
destino. Os dois se amavam. Era incrível como se comportavam juntos, brincavam
se divertiam e sorriam na maior pose de casal romântico. E, na verdade, era cúmplices,
tão culpados quanto se permitiam em resguardar esse amor como um tesouro, o
mais valioso de sua vida. Tão valioso, quanto intocado.
E vocês acreditam em amizade entre homens e mulheres?
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