E quando se deu conta, ela estava ali mais uma vez, na frente
do espelho, se olhando, mas ao mesmo tempo seu pensamento estava em qualquer
lugar do mundo, menos naquele lugar. Sem querer um sorriso tímido apareceu
sobre as mechas do cabelo jogado de qualquer jeito pelo rosto, ela sabia que
naquele instante o pensamento dela levava até a ele. E de como ele havia feito
ela feliz.
Lembrou-se dos momentos especiais, que eram tantos, só bastava
estar ao lado dela. Não era raro ter um sorriso estampado antigamente, como era
nos dias de hoje. Seus olhos não ficavam vermelhos com tanta frequência, nem
seu sono era tão interrompido com pesadelos. Lembrou-se de como era não se
importar com o amanhã, lembrou-se de como era bom caminhar ao lado de alguém.
Lembrou-se de como era bom se sentir amada, de como era amar.
Agora ela vivia no escuro, ele era a luz dela, ele que
mostrava o caminho. O problema é esse, é ficar completamente no escuro. Agora
ela sabia que ele não tinha deixado o manual de instruções sobre como viver
sozinha depois de conhecê-lo.
Naquele momento em frente ao espelho, que não durou mais de
cinco minutos, mas que para ela foi como se tivesse demorado horas, dias. As
lembranças eram como se fosse há uma eternidade. Momentos que não voltam mais,
ela sabia disso, ela sabia que no fundo tudo isso não iria passar de lembranças
de um sonho não realizado. De um amor não consumado.
Ela lembrou de tantos diálogos que foram imaginado, que se ela
não tivesse pensado tanto antes de falar, talvez ela teria falado tudo o que
queria. Ela só queria falar, escutar talvez aquela voz que tanto a conformou,
que tanto a encantou.
Aos poucos o sorriso foi sumindo e ela se deu conta que não
dava mais para esperar a fantasia, não podia mais esperar. Ela sutilmente lavou
o rosto e saiu. Saiu para viver sua vida dolorida, mas agora sem ele.

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