Que nós mulheres somos inteligente ninguém duvida. Existem grandes
exceções, é claro, mas a grande parte já foi absolvida por Deus. Afinal, temos hormônios,
trabalho, jornada dupla, salão as seis, unhas para fazer, pilha de louças para
lavar, família, amigos, depilação na hora do almoço, drenagem linfática em vez
da janta, um cartão de credito que nos prega cada susto. Uma sociedade que
valoriza a juventude e a perfeição. Amores por quem matamos e morremos. Um cabelo
que nos consome a maior parte do tempo. E no meu caso, uma necessidade de escrever
que me consome por dentro.
Enfim, nos somos mulheres, assim, com a nossa lógica tão ilógica.
Mas perfeitamente racional para nós mesmas. As vezes durante uma conversa ou
vendo um filme, ou novela. Percebo como nos mulheres somos tão iguais, mesmo
mostrando que somos diferentes. E me fez pensar nessa coisa maluca de ser
mulher.
Eu por exemplo, acredito em tudo. Vou falar a verdade, eu
acredito mesmo. Acredito em propaganda, em homens, em vidente, em papai Noel,
em vendedor de brigadeiro de rua, em simpatia, acredito realmente que esses
cremes anti-idades pode me deixar com a aparência 78% mais saudável. Eu acredito
e ponto. Quer mais um exemplo? Quantas vezes eu já comprei aqueles shampoos
polivitaminicos, mesmo sabendo que cabelo depois que passa da raiz, morre e não
absorve vitaminas. Inúmeras. Quem liga para a biologia? Eu não, eu só quero
ficar com o cabelo saudável e igual das moças da propaganda. Dá licença? É meio
maluquice eu sei.
Sou inteligente, quase nunca perdi uma média na escola e acho
que nós mulheres, realmente pensamos de modo diferente quando se trata de
amores, beleza, compras e futuro. Futuro então? Nem se fala, sou daquelas que
abrem livros procurando sinais. Digo que não acredito em horóscopo mais leio
todos os dias e pergunto qual é o seu signo! E quando o bicho pega, eu apelo
pro além. Pro oculto. Pra Santa Rita. Pros livros de auto-ajuda.
Outro dia eu tava assim, sem perspectiva, sem dinheiro,
cansada de fazer, fazer e não ter retorno. E lá fui eu, fiz todas as rezas possíveis.
Ri sozinha da minha loucura mansa, recebi os sinais que tanto queria e já sai
dizendo por ai que minha vida ia mudar. Que nada ia me deter esse ano. Por que
eu acredito nisso. E é palavra de mulher.
(É, mulher é
um bicho esquisito. Quando a gente cisma - seja com uma blusa, um namorado ou
um ritual - fazemos coisas que até Deus duvida.)
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