Eu nunca entendi o por que, mas nunca
planejei um futuro com ele, nunca imaginei nós dois juntos, sentados em um
banco vendo a vida passar um do lado do outro. Nunca acreditei que daríamos certos
e que seriamos oficialmente um casal. Eu sabia aonde estava me metendo e o
pior, estava gostando e aceitando essa situação. Nunca quis isso com ele, não por
não gostar dele, mas por gostar diferente. De uma forma simples, talvez.
Por gostar dele de leve, sem essa areia movediça
de compromisso e laços intermináveis que o amor pode nos fazer atar. Esses que
quando a gente menos percebe vira nó e nos afasta em vez de unir. Eu gosto dele
assim, enquanto ele me fazer feliz, enquanto ele conseguir arrancar a minha
gargalhada mais gostosa e a minha roupa na hora certa. Me fazendo ver que é possível
ser de alguém sem se perder.
Eu sabia que era dele, desde o primeiro
momento que o vi, sabia que de alguma forma estávamos conectados. Não para
sempre em questão de tempo. Mas para sempre marcados na vida um do outro. Eu estava
certa esse tempo, ele entrou na minha vida só para me curar. Em doses homeopáticas,
ele me curou. Ele podia sim, ser meu namorado, um futuro cafajeste, um rolo sem
importância. Mas não, ele preferiu ser mais, ele quis ser a minha cura, um tipo
de anjo, alguma coisa assim. Minha paz com hora marcada.
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