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Inquilina de mim mesma

As vezes minha vida e minha cabeça são como peças de teatro. Há tantos personagens, conflitos, algumas cenas marcantes, outras que passam despercebidas pelo público. As vezes me atrevo a dirigir e tomo o controle da situação, escolho protagonizar a minha própria história e saio por aí vivendo sem limites.
Mas quando as atrizes se revoltam nos bastidores, retomam seus papeis, deixam-me de lado, se expõem como bem desejam. Cheias de cenas vulgares, ridículas, dramáticas até demais.
E assim eu confesso, perco o controle, perco a vontade de controlar. Aceito o dia a dia e a rotina. Aceito ser movida pela minha mente que já não se conforma mais.
Todos os dias, todas as horas, esqueço que tenho que ser mais solta para me impor. Cansei de só ocupar espaço sem existir. Tento loucamente me fazer acreditar que meu natural faz mais sucesso que as personagens, mas na prática a história é totalmente diferente. Ensaio sorrisos cheios de significado, mas acabo estática de novo.
Quem vai vencer? Quem é o mocinho e o vilão? Quem vai se sobressair nessa luta por comando? Eu nunca fui de acreditar em bem e mal. Ninguém é muito certo ou errado e essa representação exacerbada chega a me incomodar.
Eu não sei se eu devo ganhar essa batalha, se mereço assumir a direção. Essas meninas medíocres aqui dentro, talvez sejam mais do que mesma. Dá para entender aonde eu quero chegar? Que poder eu tenho sobre os votos de uma população gigantesca de personalidades, todas unidas contra uma só? Contra mim!
Eu me rendo, se esse script não me satisfaz, ninguém mais tem que saber. Mais um dia passou sem que eu exigisse meus direitos. Habito mas não comando. Sou inquilina de mim mesma e essa prisão é tudo.

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